Porque é com as palavras que fico suspensa no ar…

Destino

“E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah!  Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”

(Florbela Espanca)

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Sim. Eu aceito.
Eu confio. Eu acredito.
Eu desejo. Nosso querer.
Acredito no nosso destivo.
Déjà vu.
Reencontro. Recomeço.
Acredito na intuição,
na nossa predestinação.
Acredito que de, outra maneira,
não teria te encontrado, te conhecido, te amado.
Vivemos. Separamos.
Conhecemos. Amamos.
Nos reencontramos no sentir,
no pulsar da lua nas ondas…
Sim. Eu aceitei. Amei.
Ultrapassei o amor.
Acreditei em nós, em nossos olhares.
Aceitei as nossas frases inacabadas.
Sim. Estava escrito.
Valeu a espera. Déjà vu.
Há felicidade em nossos momentos eternos.

(Suzana Martins – 18/09/2011)

questionando…

image Diz: onde é o horizonte?
Onde estão as minhas asas que entreguei a ti?
diz-me: onde é que encontro o mar?

Olhe em meus olhos, rodeado de estrelas
e diz que estarás comigo…

Diga apenas que caminharás ao meu lado
caminho sobre caminho, rocha sobre rocha
até que, na cidade, a luz do novo dia renasça.

Diga-me, apenas, com um gesto que eu reaprendi a voar…

Sentir, sem ti.

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Recolho-me a inquietude de minh’alma
reproduzindo sons presentes de tua ausência.

Sem ti, o vento não silencia
o eco dos meus pensamentos.

Senti em mim os versos
tatuados em tua pele
trazendo a brandura da tarde
e o frescor do azul…

Na ilusão de um grito velado,
mergulho em tua pele,
sentindo que o sem ti
é apenas um eco que pulsa
entre os ventos inquietos da colina…

Sem ti, recolho-me no mais absoluto sigilo de mim.

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As minhas vontades têm a temperatura do teu corpo, mas quando o frio adentra a minha janela, arrepiando a minha derme, o teu abraço me aquece em desejos, tal qual cobertor no inverno. As tuas mãos, em meus cabelos, afastam o cansaço do dia acariciando meu querer de te ter sempre dentro e perto de mim. Aqueço-me em teu colo e adormeço em ti. E, se por acaso, o mar invadir o nosso tapete nem assim eu acordarei, porque a tua derme me envolve e me seca. A minha felicidade, amor, tem o pulsar do teu coração em nós…

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Mudam-se as rotas. Mudam-se os rumos. As aves avoadas renovam suas asas dentro de uma tempestade que se forma no vento das tintas apagadas de um oceano cheio de ondas pálidas. A intensidade do sopro desenha uma falsa valsa onde as asas dançam no infinito dos sopros de um instrumento de corda. É o tom da música muda cantando ao amanhecer retendo as lágrimas de uma saudade acumulada em asas de vôo lento. No fim do papel, encontram-se páginas inteiras de versos rasgados que ficaram pela metade num vocábulo inteiro de um vôo imperfeito, esquecendo até, que para levantar vôo não precisa tirar os pés do chão.

Pele

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Sua pele, minha derme.
Suas mãos, meu toque.
seus lábios, meus beijos.
seus olhos, meus olhos.
Únicos transbordando vontades…

Desafio sua derme
a encontrar minhas vontades
que estão sedentas de ti.
Desafio seus lábios
em um beijo demorado
que invade todos os desejos
que transpiram por ti.

Absorvo seu corpo,
num único olhar,
num único toque,
no prazer do beijo,
no desafio do desejo,
conhecendo todas
as suas deliciosas partes.

Você: parte de mim.
Eu: metade sem fim.
Nós: aroma de desejo e sedução
que escorre em vontades
do beijar, do sentir, do querer…

Asas

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Eu ansiava voar
como os pássaros
na imensidão do céu…
Imitei vôos livres
que pareciam asas de águia
tatuadas em minhas costas
como uma simples farpa
da existência da liberdade
cravada em mim…

Sem penas e asas
escorreu o voar dormente,
num véu opaco,
gradeando a liberdade.

Tão sentidas, as minhas asas,
num suspiro lânguido e sereno
desperta palavras soltas
tatuando a liberdade entre os dedos.

Num voar sublime,
trocam-se as asas
pelas palavras
e o que era tatuagem,
hoje são versos
que sobrevoam o papel.

Com a liberdade passeando dentro de mim
mesmo estando longe do céu,
aprendi com as palavras
o que eu não consegui com as asas: voar!

E pela milésima vez me esqueço nas cadeiras desse café, e assisto todas as intenções humanas que passam e repassam sob os meus olhos. Na ponta das minhas canetas vou criando personagens e trilhas sonoras de um filme real, onde as ruas são linhas tênues de histórias que escrevi pela metade e os fragmentos que ficaram por dizer, inventaram fins inteiros. É viciante sentar aqui e me esquecer nas páginas de um caderno de anotações, nos olhares humanos que se reinventam e nos sabores e aromas que as cenas preparam pra mim. Esqueço-me até das notas de rodapé… A ilusão das palavras é que sussurra em mim gritos imperceptíveis que rotina alguma é capaz de alcançar. Sento-me aqui e esqueço até de mim e das minhas obsessões por voar.

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Num final de tarde, esqueço-me, e construo novas e doces ilusões. 

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Despe as roupas que te cobrem,
despe a pele que te escondes de mim.
Sinta a nudez da minha pele em tua pele,
dos meus lábios em seus lábios,
da minha vontade em seu desejo.
Toca lentamente os meus dedos em meus lábios
e sinta o calor que suplica o beijo
numa taça de desejo.
Despe a sua pele sob a minha
e sinta a vontade que escorre
entrelaçado no desejo e no querer
de sentir o meu corpo no seu corpo
chamando por ti.
Rasga a tua pele, amor.
Rasga-a que eu cuido de ti,
protegendo como uma flor delicada
que renasce sempre que semeada
nos beijos, no corpo e na vontade
de um desejo sem fim…

A sós

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Tinha um vinho espalhado
sobre a ‘toalha de mesa’.
Tinto vinho que estava sozinho
chorando em solidão!!

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